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Interface da IARA, inteligência artificial desenvolvida pelo projeto BigData-Funasa

Inteligência artificial

BigData-Funasa desenvolve IARA: inteligência artificial que democratiza o acesso de dados

26 de junho de 2026Texto: Mirna SilveiraEdição: Daniella Goulart

O projeto BigData-Funasa desenvolveu uma inteligência artificial própria para permitir que qualquer pessoa consiga consultar o banco de dados da Funasa sem precisar de conhecimento técnico. A ferramenta se chama “IARA”, nome inspirado na figura do folclore brasileiro, a senhora das águas da mitologia tupi-guarani. Ela foi criada pelo professor José Roberto Steiner, docente de Ciência de Dados e IA no Iesb, e pelo estagiário Marco Valério.

Para consultar um banco de dados, é preciso saber escrever em SQL, linguagem técnica usada para extrair informações de sistemas de dados. Isso limita o acesso às informações a um grupo restrito de profissionais especializados, excluindo gestores e servidores que precisam dos dados para tomar decisões. "A gente tem um grande problema hoje em dia, porque nem todo mundo sabe usar a linguagem SQL", explica Marco Valério. "A IARA democratiza essa parte, porque ela pega a linguagem natural e transforma em comando SQL. Qualquer pessoa pode consultar o banco."

Na prática, o usuário digita uma pergunta como faria em uma conversa e a IARA interpreta a pergunta, gera a consulta ao banco de dados e devolve a resposta em linguagem humana. O sistema funciona por ciclos: a cada rodada, o modelo recebe o contexto dos dados, o histórico da conversa e a pergunta, raciocina, consulta o banco e decide se o resultado já é suficiente para responder ou se precisa de mais uma consulta. Esse processo pode se repetir até 15 vezes, mas na maioria dos casos a resposta chega em poucos ciclos.

O desenvolvimento começou dentro do próprio Iesb, com uma base de dados da área da saúde, e foi expandido para as bases do projeto da Funasa. "Para cada nova base que a equipe insere nos nossos sistemas, uma nova parte dela nasce", afirma o professor Steiner. A fase inicial levou cerca de dois meses. Depois disso, a equipe migrou os dados do SUS e integrou as informações sobre cisternas e o conteúdo da Portaria nº 3.454, o que permitiu à ferramenta responder tanto a perguntas quantitativas quanto a dúvidas sobre regras e critérios de elegibilidade para recebimento das cisternas.

Hoje a IARA consegue responder perguntas sobre quantidades e valores de procedimentos hospitalares, comparações entre municípios, estados e regiões, gastos por tipo de procedimento e rankings geográficos. No tema de cisternas, além das consultas sobre instalações por município, o sistema também responde sobre os critérios da Funasa para seleção de beneficiários. "Uma análise que antes dependeria de um profissional técnico disponível para escrever e executar uma consulta pode ser feita diretamente por quem precisa da informação, no momento em que precisa, sem intermediários", sugere Marco Valério.

Há também uma aplicação em desenvolvimento voltada para o trabalho de campo nas comunidades quilombolas, onde a Funasa instalará cisternas. Quando o técnico estiver no local e registrar o ponto de instalação, a IARA capturará a latitude e a longitude e cruzará automaticamente essas coordenadas com os dados coletados pelo IBGE para aquela região (população, número de escolas, perfil demográfico), para entregar ao profissional um panorama completo do território em tempo real.

Steiner destaca que a IARA ainda está em construção e deve permanecer assim até o fim do projeto. Os próximos passos incluem aprimoramentos de infraestrutura, como o monitoramento de recursos, controle da qualidade das respostas e a transferência do sistema para a infraestrutura própria da Funasa.