
Análise de saneamento
BigData-Funasa classifica e analisa eficiência de saneamento em municípios
Após consolidar o inventário de fontes de dados, a frente de Diagnóstico e Análise Estatística Descritiva do BigData-Funasa avança para uma nova etapa do projeto. Formada pelas professoras Natália Ribeiro, Simone Góes e pelo professor Eduardo Nunes, a equipe agora trabalha na classificação de municípios e setores censitários com características semelhantes de saneamento e na aplicação da Análise Envoltória de Dados (DEA) para medir e comparar a eficiência produtiva dos municípios no uso dos recursos disponíveis.
“O mapeamento rigoroso das fontes de dados e a estruturação em ambiente de Big Data funcionam como o alicerce fundamental para viabilizar esta nova etapa do estudo”, explica Natália Ribeiro, professora adjunta de Ciência de Dados e IA do Iesb e mestre em Estatística pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, a análise depende da integração de grandes bases governamentais e institucionais, com destaque para o Transferegov, que reúne repasses de recursos e convênios federais, o SINISA, com indicadores operacionais e financeiros de saneamento, e o IBGE, com dados demográficos, territoriais e socioeconômicos.
Esse processo de governança dos dados garante a integridade e a confiabilidade necessárias ao resultado. Com isso, é possível processar diferentes variáveis de forma simultânea e escalável, além de agrupar os municípios com precisão analítica, garantindo comparabilidade justa e sem distorções.
Para a classificação dos municípios em grupos semelhantes, são utilizadas variáveis extraídas do IBGE, como densidade demográfica, PIB, proporção de população rural e urbana e área territorial, entre outras. No caso da aplicação do modelo de DEA, também são utilizados dados do SINISA e do Transferegov. “A dimensão de saneamento básico fundamenta-se nos dados do SINISA, englobando os indicadores de atendimento e cobertura dos serviços de água, esgotamento sanitário e gestão de resíduos sólidos”, afirma a pesquisadora. Esses indicadores são combinados com as variáveis populacionais e as características físicas e socioeconômicas fornecidas pelo IBGE. Por fim, incorporam-se os dados do Transferegov relativos aos convênios e repasses federais firmados para programas de saneamento, o que permite capturar a capacidade de captação de insumos financeiros e o volume de investimentos públicos aportados em cada município.
A DEA tem o intuito de avaliar por que municípios com os mesmos insumos disponíveis apresentam níveis diferentes de eficiência na aplicação de recursos em saneamento. Na fase atual de testes da modelagem, os inputs considerados são os dados do Transferegov, referentes ao volume de recursos e convênios federais aportados, e do IBGE, relativos às características populacionais e territoriais do município. Os outputs, por sua vez, são compostos pelos indicadores do SINISA, que refletem o nível de atendimento e a cobertura efetiva dos serviços de água, esgotamento sanitário e manejo de resíduos sólidos.
A equipe ainda não possui os resultados finais das análises, mas a expectativa é de que, ao classificar municípios semelhantes e mensurar essa eficiência relativa, o projeto tenha mais precisão para orientar a alocação de investimentos públicos em saneamento no país.



