
História do projeto
Projeto BigData-Funasa: como tudo começou
O projeto BigData-Funasa nasceu de uma intuição de gestão, e não de um planejamento formal de tecnologia. É isso que revela o ex-presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Alexandre Motta, que esteve à frente da instituição por cerca de dois anos e dez meses e foi o responsável por articular, ainda em 2023, o convite ao professor Sérgio Côrtes para desenhar o que viria a se tornar o projeto.
A ideia surgiu no momento em que Motta, depois de reerguer a estrutura básica da Funasa — extinta por medida provisória no início de 2023 e recriada 45 dias depois —, começou a se aprofundar no core business da instituição, o saneamento. Ao estudar o setor e os sistemas usados pela fundação para controlar suas informações, ele percebeu que os dados acumulados ao longo de décadas não estavam organizados de forma útil para as tomadas de decisões.
Motta encarregou seu diretor de saúde ambiental, Carlos Henrique, de elaborar, junto ao professor Sérgio, uma proposta capaz de explorar as informações do setor de saneamento da Funasa. A intenção inicial era cruzar os dados internos da fundação com outras bases externas que pudessem qualificar ainda mais as informações.
A convicção vinha de uma experiência de mais de 30 anos em gestão pública e finanças, período em que o ex-presidente já lidava com grandes volumes de dados históricos organizados por planilhas. “Eu sempre brincava com os meus estagiários naquela época, assim: a primeira coisa que você precisa fazer é montar planilha. Monta planilha que os dados vão saltar na sua cara, entendeu? Você vai enxergar os dados naturalmente”, relembra. Na Funasa, o volume de dados, principalmente de convênios e orçamento, descritos por ele como “o coração da instituição”, não caberia mais em uma planilha de Excel, o que tornou necessária a ajuda especializada da equipe acadêmica.
No meio do desenvolvimento do projeto, a ascensão da inteligência artificial passou a ser uma parte essencial de qualquer iniciativa que envolvesse grandes volumes de dados, ampliando o escopo original do BigData. “Ela [inteligência artificial] traz uma praticidade, uma potência que não existia antes e revoluciona”, afirma Motta.
Ainda que tenha nascido de uma necessidade, o BigData revelou potencial para se conectar a outras frentes da Funasa, como o programa de construção de cisternas no semiárido nordestino e o levantamento de dados sobre qualidade da água no Rio Doce, em Minas Gerais, no âmbito do acordo firmado após o desastre de Mariana. O ex-presidente também defende a expansão do trabalho para a região Norte do país, área que voltou a exigir atenção da Funasa depois da grave seca de 2024. “Eu não tinha dúvida que ele [projeto BigData] ia se desdobrar, que ele ia naturalmente ser útil para vários projetos da Funasa em elementos que eu nem imaginava naquela época. Era uma intuição de que eu precisava lidar com aquelas informações”, disse.



